Auditor investigado pela PF e pela Receita liberou a entrada de 144 mil latas de energéticos proibidos pela Anvisa no Porto do Rio

  • 03/05/2026
(Foto: Reprodução)
Operação no Porto do Rio Reprodução/TV Globo As investigações que deram origem à operação Mare Liberum, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal, descobriram que um auditor da Receita Federal liberou a entrada no país de 144 mil latas de energéticos. A liberação irregular aconteceu apesar da carga ter sido analisada e proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O g1 apurou que pela ação ilegal, o auditor ganhou, de acordo com a investigação, R$ 20 mil. O nome do servidor não foi divulgado. A investigação encontrou indícios de irregularidades em quase 17 mil declarações de importação de julho de 2021 até março de 2026. Nessa lista, todo tipo de produto: de alimentos a equipamentos de óleo e gás. Carregamentos avaliados em R$ 86 bilhões. PF, Receita e MPF miram pagamento de propina para liberar cargas no Porto do Rio “Alimentos que estavam sujeitos ao controle de autoridades sanitárias que não poderiam entrar no Brasil sem a anuência desses órgãos e, no entanto, devido ao esquema, acabavam entrando”, disse o corregedor-geral da Receita Federal, Guilherme Bibiani na entrevista na terça-feira (28) sem detalhar o caso. A liberação irregular aconteceu em 2022. A carga de energéticos estava distribuída em 6 mil caixas. Na ocasião, o delegado da Alfândega no Porto do Rio era Pedro Antônio Pereira Thiago, de 62 anos, alvo de busca nesta semana. Pedro Thiago pediu aposentadoria em 8 de abril. Ele foi nomeado como delegado da Alfândega em dezembro de 2020. O g1 tenta contato com Pedro Thiago. A 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro expediu 45 mandados de busca, tendo 25 servidores da Receita como alvos. Todos foram afastados de seus postos. Dinheiro debaixo da cama, no piano A Polícia Federal contabilizou o dinheiro apreendido na terça-feira (28) na casa de auditores fiscais da Receita Federal alvos da Operação Mare Liberum. Os valores em espécie, divididos entre reais, dólares, euros e libras, totalizaram R$ 5.093,859 milhões. Na casa de um auditor em Copacabana, os policiais encontraram R$ 200 mil debaixo de uma cama. Já na casa de uma auditora na Barra da Tijuca foram R$ 830 mil no interior de um piano. PF encontra R$ 200 mil debaixo da cama de um auditor em Copacabana Divulgação/PF Além do dinheiro, ainda foram apreendidos 54 telefones celulares, 17 veículos e 11 relógios de luxo. Na casa de um despachante, foram achadas 54 garrafas de vinho avaliadas em R$ 700 cada. Um analista da Receita foi preso em flagrante por posse ilegal de arma. Relógios apreendidos na operação Mare Liberum Reprodução Propinas A Operação Mare Liberum investiga um esquema de propinas no Porto do Rio de Janeiro. Estima-se um prejuízo de meio bilhão de reais aos cofres públicos com a liberação irregular de contêineres. O que foi apreendido Dinheiro (Reais): R$ 1.517.750,00 Dinheiro (Dólar): US$ 467.753,00 Dinheiro (Euro): 50.265,00 EUR Dinheiro (Libras): 140,00 GBP Celulares: 54 Veículos: 17 Relógios de luxo: 11 Passaportes: 17 Armas: 1 revólver Munições: 10 (calibre .38) A operação A investigação começou com uma denúncia levada à Corregedoria da Receita Federal em fevereiro de 2022. O caso foi repassado à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para a apuração conjunta. Garrafas de vinho e dinheiro em espécie apreendidos na Operação Mare Liberum Divulgação/PF A operação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e do Ministério Público Federal teve início na manhã desta terça-feira (28) quando equipes saíram da Superintendência da PF, na Praça Mauá, e do prédio do Ministério da Fazenda, no Centro do Rio para cumprir 45 mandados de busca e apreensão contra importadores, despachantes e servidores públicos. Policiais federais, equipes da Corregedoria da Receita e procuradores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) foram para endereços na capital e nas cidades de Niterói, Nilópolis, Nova Friburgo e Vitória (ES). Entre os locais está a alfândega do Porto do Rio. A Justiça ainda determinou o afastamento dos cargos de 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários, além do sequestro de até R$ 102 milhões em bens dos envolvidos. Nove despachantes foram proibidos de exercer atividades no Porto do Rio. Dinheiro apreendido na casa de uma auditora na Barra da Tijuca que totalizou R$ 2.078.800,00 Divulgação/ Polícia Federal

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/05/03/auditor-investigado-pela-pf-e-pela-receita-liberou-a-entrada-de-144-mil-latas-de-energeticos-proibidos-pela-anvisa-no-porto-do-rio.ghtml


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